sábado, 26 de março de 2011

CLASSES DE PALAVRAS-Exercícios com gabarito (Nippo)

1) (UNESP)
Esparsa - Ao desconcerto do Mundo.
                                                           (Luís de Camões)
Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado,
Assim que só para mim
Anda o Mundo concertado.

                (in REDONDILHAS - OBRAS COMPLETAS. Rio de Janeiro: Aguilar, 1963, pp. 475-6.)

Vocábulos como Bom e Bem, Mau e Mal, em virtude da variedade de seu uso em nossa língua, não podem ser classificados senão após se examinar o contexto de cada frase. Isto se verifica nos poemas em pauta. Com base nestas observações:
a) aponte a classe e a função sintática de Bem, no sétimo verso de Camões;
b) aponte a classe e a função sintática de Mau, no oitavo verso de Camões.

2. (FUVEST) "O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo afetuosa e precavida de usar a linguagem. Afetuosa porque geralmente o usamos para designar o que é agradável, aquelas coisas tão afáveis que se deixam diminuir sem perder o sentido. E precavida porque também o usamos para desarmar certas palavras que, por sua forma original, são ameaçadoras demais."
(LUÍS Fernando Veríssimo, Diminutivos)

A alternativa inteiramente de acordo com a definição do autor de diminutivo é:
a) O iogurtinho que vale por um bifinho.
b) Ser brotinho é sorrir dos homens e rir interminavelmente das mulheres.
c) Gosto muito de te ver, Leãozinho.
d) Essa menininha é terrível.
e) Vamos bater um papinho.

3. (ITA-SP) Determine o caso em que o artigo tem valor de qualificativo:
a) Estes são os candidatos de que lhe falei.
b) Procure-o, ele é o médico! Ninguém o supera.
c) Certeza e exatidão, estas qualidades não as tenho.
d) Os problemas que o afligem não me deixam descuidado.
e) Muita é a procura; pouca a oferta.

4. (FGV) Observe os termos sublinhados nas seguintes frases:

• Chegou a hora do público se manifestar contra a publicação desse impostor.
• As palmas do público ecoavam pelo teatro, em apoio à proposta de Nabuco.
• Vista do público, a cantora parecia bonita; da coxia, percebia-se que era feia.

Sobre eles, é correto afirmar:
a) Para o segundo exemplo, vários gramáticos recomendam a forma de o em lugar de do, porque a preposição está regendo o sujeito.
b) Para o terceiro exemplo, vários gramáticos recomendam a forma de o em lugar de do, porque a preposição está regendo o sujeito.
c) Nos três exemplos, os termos sublinhados exercem a mesma função sintática de adjunto adverbial.
d) No primeiro e no segundo exemplos, os termos sublinhados exercem a mesma função sintática de adjunto adnominal.
e) Para o primeiro exemplo, vários gramáticos recomendam a forma de o em lugar de do, porque o público é sujeito, que não deve ser iniciado por preposição.

5. (FMU-SP) Observe as frases seguintes e depois escolha a única alternativa incorreta:

I. Com a Ana ele vai brigar.
II. Com Fred ele não vai discutir.

a) A frase I contém um artigo definido, no feminino e no singular, que semanticamente torna Ana mais próxima do emissor.
b) A frase I contém um artigo definido, no feminino e no singular, pois antecede um nome próprio de mesmas características morfológicas.
c) No confronto entre a frase I e a frase II pode-se notar a importância do uso estilístico do artigo.
d) A frase II, dispensando o artigo diante do nome próprio, marca o distanciamento entre o referente e o emissor.
e) A frase II, não contendo artigo definido diante do nome próprio, está errada.

6. (FUVEST) Texto para as questões 8 e 9:

As duas manas Lousadas! Secas, escuras e gárrulas como cigarras, desde longos anos, em Oliveira, eram elas as esquadrinhadoras de todas as vidas, as espalhadoras de todas as maledicências, as tecedeiras de todas as intrigas. E na desditosa cidade, não existia nódoa, pecha, bule rachado, coração dorido, algibeira arrasada, janela entreaberta, poeira a um canto, vulto a uma esquina, bolo encomendado nas Matildes, que seus olhinhos furantes de azeviche sujo não descortinassem e que sua solta língua, entre os dentes ralos, não comentasse com malícia estridente.
(Eça de Queirós, A ilustre Casa de Ramires)
gárrulo – falador  pecha – desonra azeviche – variedade de carvão

No texto, o emprego de artigos definidos e a omissão de artigos indefinidos têm como efeito, respectivamente,
a) atribuir às personagens traços negativos de caráter; apontar Oliveira como cidade onde tudo acontece.
b) acentuar a exclusividade do comportamento típico das personagens; marcar a generalidade das situações que são objeto de seus comentários.
c) definir a conduta das duas irmãs como criticável; colocá-las como responsáveis pela maioria dos acontecimentos na cidade.
d) particularizar a maneira de ser das manas Lousadas; situá-las numa cidade onde são famosas pela maledicência.
e) associar as ações das duas irmãs; enfatizar seu livre acesso a qualquer ambiente na cidade.

7. (FUVEST)
"Ele é o homem (...)
eu sou apenas
uma mulher"

Nesses versos, reforça-se a oposição entre os termos homem e mulher.
a) Identifique os recursos lingüísticos utilizados para provocar esse retorço.
b) Explique por que esses recursos causam tal efeito.

8. (UFU-MG) Em uma das frases, o artigo definido está empregado errada­mente. Em qual?
a) A velha Roma está sendo modernizada.
b) A "Paraíba" é uma bela fragata.
c) Não reconheço agora a Lisboa do meu tempo.
d) O gato escaldado tem medo de água fria.
e) O Havre é um ponto de muito movi­mento.

TORMENTO DO IDEAL     (fragmento)
                                                                  Antero de Quental
Pedindo à forma, em vão, a idéia pura,
Tropeço, em sombras, na matéria dura,
E encontro a imperfeição de quanto existe.

Recebi o batismo dos poetas,
E, assentado entre as formas incompletas.
Para sempre fiquei pálido e triste.

                                               (in Quental, Antero de. Sonetos Escolhidos. São Paulo: Livr. Exposição, 1966, p.72.)
a palavra não vem

                                                               pensa
                                                               pensa
                                                               pensa
                                                               pensa
                                               e a palavra não vem

                                                               nunca
                                                               nunca
                                                               nunca
                                                               nunca
                                                               nunca
                                                               nunca
                                                               nunca
                                                               nunca
           
(Antunes, Arnaldo-TUDOS, 3ª ed., São Paulo: Iluminuras, 1993.)

9. (UNESP) Se cotejarmos a expressão "formas incompletas", do soneto de Antero, com o signo "palavra", do poema de Arnaldo Antunes, verificaremos que ambos os poetas tentam dizer o quanto é difícil para o artista comunicar a "idéia pura", quer dizer, aquilo que, em essência, gostaria de exprimir. Esta angústia dos artistas se projeta num tempo infinito. A partir desse comentário, releia ambos os textos e, a seguir:
a) Aponte, em cada um desses poemas, os advérbios que exprimem esse tempo infinito.
b) Aponte em qual dos poemas o advérbio, explícita e enfaticamente, determina o modo de ser do poeta.

10. (FUVEST)
 "...um mal que mata e não se vê".
               "que mal me tirará o que eu não tenho".
               "O homem, mal vem ao mundo, já começa a padecer."

Nas três citações, a palavra mal é, pela ordem: substantivo, advérbio e conjunção. Assinalar a alternativa em que esta palavra venha convenientemente substituída por equivalentes destas três categorias gramaticais, na mesma ordem:

a) Por castigo dos meus pecados. Fala e escreve erradamente. Logo que você saiu, ele chegou.
b) A custo conseguiu pronunciar umas poucas palavras.Agiu irregularmente em relação a este processo. Falou de sua doença.
c) Calculou erradamente o resultado da experiência.Assim que se retiraram, desabou o temporal.Riu-se do sofrimento que te causou.
d) Pediu-lhe escusas pelo aborrecimento que lhe trouxe.Tão logo ganhou a rua, foi vítima de atropelamento. Julgou injustamente a atitude que tomamos.
e) Para surpresa nossa, apenas recebeu o pacote, saiu.Está muito doente.Não imaginava que lhe causaria tanto prejuízo.

Primeiro texto:
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

in Camões, Luís de. "Obra Completa", Rio de Janeiro, Aguillar, 1963, p. 269.
A Carolina
Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.

                (dedicatória de Relíquias de Casa Velha - 1906) in Assis, Machado de. "Relíquias de Casa Velha", segunda ed., Civilização Brasileira / INL, 1977, p. 47.

11. (UNESP) Nos dois sonetos, os poetas se dirigem às suas amadas já mortas, em tom triste e lamentoso. Mas se no de Camões, embora afetivo e apaixonado, parece vigorar certo "distanciamento", no de Machado de Assis parece haver uma relação de "proximidade", na qual o poeta e companheiro confessa identificar-se e solidarizar-se com a falecida Carolina. Com base nestes comentários, interprete o papel semântico exercido pelos advérbios de lugar nos contextos de ambos os poemas.

12. (FUVEST) Nas frases a seguir, cada espaço pontilhado corresponde a uma conjunção retirada.

1. "Porém já cinco sóis eram passados...... dali nos partíramos..."
2. ......estivesse doente faltei à escola.
3. ......haja maus nem por isso devemos descrer dos bons.
4. Pedro será aprovado...... estude.
5. ...... chova sairei de casa.

As conjunções retiradas são, respectivamente:
a) quando, ainda que, sempre que, desde que, como.
b) que, como, embora desde que, ainda que.
c) como, que, porque, ainda que, desde que.
d) que, ainda que, embora, como, logo que.
e) que, quando, embora, desde que, já que.

13. "As suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham."

Observando o período acima, responda:
a) Que tipo de relação se estabelece entre as duas orações através da conjunção "E"?
b) Como pode ser justificado o emprego do segundo verbo do período no presente, enquanto o primeiro apresenta-se no pretérito?


GABARITO

1) a) Substantivo e objeto direto.
b) Adjetivo e predicativo do sujeito.

2) Em “Leãozinho” há sentido afetuoso, mas também precavido, já que se diminui o peso da palavra “leão”, que é símbolo de ferocidade e força.

3. (ITA-SP) Determine o caso em que o artigo tem valor de qualificativo:

b) Procure-o, ele é o médico! Ninguém o supera.

(FGV) Observe os termos sublinhados nas seguintes frases:

• Chegou a hora do público se manifestar contra a publicação desse impostor.
• As palmas do público ecoavam pelo teatro, em apoio à proposta de Nabuco.
• Vista do público, a cantora parecia bonita; da coxia, percebia-se que era feia.

Sobre eles, é correto afirmar:

a) Para o segundo exemplo, vários gramáticos recomendam a forma de o em lugar de do, porque a preposição está regendo o sujeito.
b) Para o terceiro exemplo, vários gramáticos recomendam a forma de o em lugar de do, porque a preposição está regendo o sujeito.
c) Nos três exemplos, os termos sublinhados exercem a mesma função sintática de adjunto adverbial.
d) No primeiro e no segundo exemplos, os termos sublinhados exercem a mesma função sintática de adjunto adnominal.
e) Para o primeiro exemplo, vários gramáticos recomendam a forma de o em lugar de do, porque o público é sujeito, que não deve ser iniciado por preposição.

Não haverá contração nos seguintes casos:

É hora de        a onça            beber água.

                        prep.       sujeito          verbo

Apesar de        o brilho geral da supernova (Shelton 1987) ter persistido, sua produção de luz ultravioleta e azul.              
prep                 sujeito                                                 verbo

diminuiu drasticamente de noite para noite, parcialmente como resulta­do de uma desaceleração da expansão da explosão.[Na página 17 do Jornal da Tarde de 10/mar./1987.]

É que a preposição que antecede o artigo não se relaciona com o substantivo que ele determina, e sim com o verbo. Tal substantivo é sujeito da oração, e sujeito em português não pode ser preposicionado.

Leia abaixo outros lembretes sobre o uso dos artigos:

a) Muitas vezes o artigo definido faz parte do título: (no­me de jornal, de obra literária ou científica etc.): Nesse caso, quando o título vier antecedido de preposição, não se deve fazer a contração:
Uma linguagem jovem, dinâmica tem caracterizado o "Ca­derno 2", suplemento diário de O Estado de S. Paulo.
Euclides da Cunha é o autor de Os sertões, obra de leitura obrigatória.

b) Usa-se o artigo definido com valor intensivo em frases da linguagem coloquial. É chamado, nesse caso, artigo de notoriedade:

O Adilson é o professor.

c) O artigo partitivo também é encontrado em português:

Muitas crianças brasileiras tomaram do leite contaminado com radiatividade.

d) O artigo definido pode aparecer empregado com o valor de pronome demonstrativo:

Estudou o (este) ano inteiro em escola pública.

e) Também pode ser empregado como pronome indefinido, especialmente em expressões de peso e de medida.

Neste caso, o artigo definido tem caráter distributivo:
Esta renda custa NCz$ 3,00 o (cada) metro.

f) Quando o artigo se refere a substantivos que designam partes do corpo, ele tem o valor de pronome possessivo, indicando que tais partes do corpo são do indivíduo a que nos referimos:

É muito difícil comprar roupas para o Júlio César: ele tem os (seus) braços e as (suas) pernas muito compridos.

g) O emprego ou omissão do artigo junto ao pronome substantivo provoca significados diferentes:

Este livro é meu.
Este livro é o meu.

Na primeira frase, a omissão do artigo definido indica que o que se está se acentuando é o caráter de posse, isto é, este livro pertence à minha pessoa. Na segunda frase, a presença do artigo vai manifestar a presença de um entre vários objetos, ou seja, entre vários livros, “este é o meu”.

i) Com nome de pessoas, emprega-se o artigo para manifestar intimidade, familiaridade com relação à pessoa referida:

A Lurdes terminou o curso de culinária.

Do contrário, omite-se o artigo:

Marcos é aquele vizinho que mora em frente à minha casa.

7. a) O artigo definido o e o artigo indefinido uma.
b) O artigo definido determina, particulariza o termo homem, enquanto o indefinido generaliza o termo mulher.

9. a) SEMPRE, em Antero, e NUNCA, em Antunes.
b) No poema "Tormento ideal" : "Para sempre fiquei pálido e triste."

10. a   

11. Camões: oposição entre os advérbios que se referem à terra e ao céu. A oposição dá a idéia de distanciamento físico.
Machado: o advérbio (aqui) reflete a proximidade entre o amante e o objeto de seu amor.

12. b

13. ) De oposição.
b) A ação de colocar água já se esgotou, mas a ação de murchar persiste no presente.

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